É esse estranho, esse estranho que é cá dentro
(E não a pedra, a fruta, ou fera que há lá fora)
Que insiste em vir e me tirar do centro
Fazendo tudo o que é seguro ir-se embora
Como esse estranho, que nem mesmo a mão toca
Sem substância, forma, ou corpo que lhe encerre
Põe gesto às mãos e palavra em minha boca
E ante à luz faz que meu olhar se cerre?
Os outros seres, todos,eu posso tê-los
E entendo-os bem, pois bem posso tocá-los
Mas o estranho só vem no que faço e falo
Como o mar, não tem fim nem tem cabelos
Onde lhe agarre, porém real, pois bem o sinto
O seu sabor e a embriagez de vinho tinto
Que me comove, apesar do porre que ressinto
Que venha o cálice, pois dele estou faminto!